sábado, 24 de dezembro de 2011

Uma hora você tem que tomar uma decisão. As fronteiras não mantêm as pessoas para fora, elas te prendem dentro de si. A vida é confusa mesmo, é assim que fomos feitos. Então você pode desperdiçar sua vida desenhando linhas ou então você pode viver cruzando-as.
Mas há algumas que são perigosas demais para serem cruzadas.
E aí vai o que eu sei: se você estiver disposto a jogar a precaução pela janela e se arriscar, a vista do outro lado é espetacular.

Há dias em que o melhor lugar para se estar é lugar nenhum. Trauteio pobremente a estrofe "estou bem, aonde eu não estou, porque eu só quero ir, aonde eu não vou, porque eu só estou bem... onde não estou". Os meus colegas toleram os meus fracos dotes de cantora porque sentem o mesmo. Não estamos bem onde estamos, apesar de não estarmos realmente cá. A corda paira em torno dos nossos pescoços, e eu por mim apenas peço para o laço se apertar de vez e acabar com a espera parva. Com a pressão psicológica a intensificar a cada dia que passa, vamos empurrando o hoje para cima do amanhã, esperando que o depois salte a cadeia. 
Decisões pendentes de decisões tomadas e não anunciadas. 
Decisões pendentes de decisões ainda não tomadas. 
Passo a vida a esperar. Se pensar bem nisso não estou a viver ainda e estou presa numa espera pela vida. Que não chega enquanto não lhe abrir a porta. 
Sei o que quero. É simples, mas será possível?

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Idealizando

O problema é que sempre nos apaixonamos por nossas fantasias.
Nunca vemos a porcaria que as pessoas são na verdade.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Confortável, amigo?

- Oi, com licença?
- Pois não?
- Será que você pode parar de me apertar agora, ou só quando eu for espremida para fora do ônibus pela janela?

Silêncio constrangedor. Pausa sugestiva. Recolher de pernas.

- Obrigada.


sábado, 1 de outubro de 2011

Coisas de Ônibus

Quinta feira. 17:15. Atrasada pra caralho.
Sento num banco escondido pra comer - ônibus vazio. Jardim Maria Lucia.
Ele se aproxima, com os cadernos, mochila e um celular pendurado no pescoço. Nove anos de idade, no máximo.

- Tia, dá um pouquinho? (Esse "tia" acaba com seu dia)
- Claro, pega aí.
- Tudo?!
- Aí não né! Também tô com fome. Se quiser mais pode pegar.
- "Brigado".

O ônibus anda mais 10 metros, e ele volta:
- Tia, dá mais um pouquinho?
- Senta aí, vamos dividir.

Silêncio de dez minutos.

- Tia, você mora aqui?
- Não, só trabalho. E você?
- Eu morava. Agora moro no Nova Esperança, mas venho na escola aqui. Onde você trabalha?
- No Posto.
- De saúde?
- É. Estuda em que série?
- Terceira.
- Hm. E você gosta?
- De estudar?
- É.
- Não. 
- E o que vai fazer quando crescer?
- Eu vou ser jogador de futebol *-* !
- Mas tem que estudar também.
- Claro que não. Jogador não precisa estudar, só treinar muito.
- Mas e se a vida de jogador não virar nada? Vai fazer o que?
- Vira sim, tia! Eu sou muito bom!
- Hm. Mas e quando você for um jogador muito rico, vai ficar burro, falando tudo errado?
- Ai, não quero pensar nisso agora. E você estudou muito pra trabalhar lá?
- Estudei. Não muito. E também não parei de estudar ainda.
- Ah, você é tonta. Casa com um jogador e fica tudo certo. Vai fazer o que? Ser professora?
- Não. Engenheira.
- Tia, não quero mais não. Pode comer.
- Tem certeza?
- Tenho. Vou descer ali, meus amigos tão esperando. 
- Tá certo. Boa sorte jogador.
- "Brigado".

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Sinceramente,

Eu não tenho medo do fim do mundo.
Na verdade, tenho medo do seu não fim.
Francamente, é torturante, agonizante, massacrante. 
Pensar na realidade atual como única alternativa.

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Metanoia

Orgasmo musical. Sem mais.


domingo, 19 de junho de 2011

Pray

Eu não acredito em deus, mas as vezes gostaria de acreditar.
A ignorância, as vezes, pode ser aliviadora. Muito conhecimento, as vezes, pode te deixar à beira da insanidade.

sábado, 11 de junho de 2011

Dia dos Namorados

Se você pensa que o dia dos namorados é pra ser romântico, sinto em lhe informar. Mas não é.
Nesse dia, ou se passa sozinho ou algum contratempo acontece, estragando tudo.
Então, não espere uma dancinha. Um vinho. Um blues.
Seu dia dos namorados será uma droga. Porque o meu também vai ser.