quarta-feira, 12 de junho de 2013

Essa droga de insatisfação

Há 3 anos atrás, tudo que eu queria era um emprego e começar a logo a faculdade, para terminá-la o mais breve possível.

Passado 1 ano, eu tinha o emprego. Uau, eu seria, a partir daquele momento, funcionária pública. Recém admitida em um concurso local, eu fui com a cara e a coragem - e a inexperiência que qualquer adolescente de 18 anos teria.
Sem muitas explicações, no edital só dizia "Agente Administrativo". Para mim, estava ótimo. Na minha cabeça - e na dos outros 967 inscritos para o tal concurso - ficaria em uma sala batendo carimbos o dia inteiro. Aham!
Veio a convocação, depois a posse. E depois o infarto! Fui locada em uma unidade básica de saúde, em um bairro não muito amigável e com nenhuma instrução prévia. Como disse, com a cara e a coragem. 
Os primeiros meses foram desagradáveis - ok, continua sendo até hoje - mas acabamos nos prendendo a trabalhos assim, digamos, chatos. Por um objetivo maior. E eu tinha um objetivo maior. E esta era uma forma segura de garantir que meu objetivo seria preservado.

É, o emprego eu consegui! Pode não ser o mais lindo, o mais desafiador, mas relativamente, paga bem. 
A faculdade, bem. É, apesar de tudo, a faculdade vai bem. Vamos bem. 

E aqui estou eu, em uma madrugada de terça pra quarta. Com insônia, em semana de provas, com várias páginas de Álgebra Linear para ler amanhã. 

"A Crise" ou "O Soneto da Maturidade Feminina é apenas um nome de um chá ruim"

"Crise. Vem do grego krísis. Dentre algumas definições médicas que eu espero que não venham ao caso, o dicionário nos dá as seguintes explicações: momento crítico ou decisivo; situação aflitiva; conjuntura perigosa, situação anormal; momento grave, decisivo. 

Pois bem, eu estou em crise. E como toda crise, ela não surgiu do nada. A crise geralmente começa disfarçada de qualquer outra coisa, sempre muito trivial. Uma preguiça de levantar, uma dorzinha de cabeça que nunca passa, um desânimo recorrente. Dali a pouco, nasce um nó na garganta, que não pára de crescer. E tudo que costumava te motivar, agora te causa profundo desdém. E só tende a piorar, até que o nó na garganta se torna tão imenso que você começa a sufocar lentamente. Então você sabe que está em crise. 

Não sei se chega a ser uma crise dos trinta, visto que tenho honrosos vinte e sete. Mas como tudo hoje em dia acontece mais cedo - culpa do aquecimento global, claro -, talvez seja uma crise associada ao que ter trinta anos representa. 

Sempre achei que essa passagem mítica se daria quando eu conquistasse minha independência financeira, mas não foi. Depois acreditei que ela pudesse acontecer quando eu tivesse minha casa. Também não. A minha vida inteira, eu sempre tive certeza do que queria. O que é bom, porque sempre fui muito focada. Mas também se tornou um fardo, porque fui sempre tão focada que qualquer variação do plano original se transformava em algo impossível de lidar. Agora estou tão perto de ter tudo o que sempre quis, que quase consigo sentir o cheiro da epifania que vai acontecer muito, mas muito em breve. 

Porque depois de todo esse tempo travando batalhas para me tornar quem eu queria tanto ser, chego à conclusão chocante de que a carapuça já não me serve mais. Pela primeira vez em todos esses anos, eu não faço ideia da pessoa que quero ser ou daquilo que quero fazer. E a sensação não poderia ser mais libertadora. 

Só então eu pude entender no que realmente consiste essa passagem para a fase adulta. Claro que tem muito a ver com assumir responsabilidades e compreender que, em última instância, você deve contar apenas consigo mesmo. Mas também tem a ver com perder o medo de errar. Até porque, quando você assume as responsabilidades pelas suas escolhas, como um adulto deve fazer, o ônus é todo seu. Então, se der errado... bom, dane-se. 

Estou em crise. Minha vida está toda bagunçada. Minha cabeça está uma zona. Mas, de alguma forma, sinto que a faxina que está por vir será a mais revigorante de todas. Principalmente porque ela não será definitiva. Quando a gente arruma demais, não sobra espaço para o inesperado surgir. E eu estou oficialmente deixando de programar tudo. Eu quero me deixar ser surpreendida e, quem sabe, com sorte, surpreender a mim mesma. 

E quando me perguntarem quais são os planos para o futuro, eu vou responder qualquer coisa, mas estarei pensando o que jamais imaginei pensar. Eu realmente só quero ser feliz. Enquanto isso, bebo um chá que eu comprei numa loja de produtos naturais, de nome poético, mas de gosto estranho." 



Texto retirado do blog da incrível Natália Klein, o "Adorável Psicose".


sábado, 2 de fevereiro de 2013

Hoje

Hoje eu to feliz. Feliz pra cacete.
E não é por causa de nenhum cara idiota - tá, talvez até seja, mas dessa vez é diferente.

E tá, eu sei que quem tá lendo tá pensando tipo - Aham, sei. Diferente. De novo?

É. Diferente.
E não porque dessa vez o cara é outro. Melhor, mais legal, mais... Ele.
Eu sou diferente. Eu, e mais ninguém.

E então, com toda essa diferença, eu vou me permitir ser feliz.

Porque, quando ele diz que "não é o que ele procura agora" (quando nem mesmo eu sei o que seria esse "o que"), eu não surto e choro por horas. Eu só penso - é, eu acho que eu não procuro isso agora também.

E, quando ele demora pra responder o sms... Eu não fico com o telefone em punho, esperando, roendo as unhas. As vezes, até esqueço. Progresso...

Agora, quando ele diz que eu sou bonita... Eu acredito no que ele diz, e me sinto mais bonita ainda - ao invés de fazer aquela típica cara de quem não acredita e terminar numa discussão estúpida.

Bom, eu não sei se estou apaixonada. Mas prefiro não estar. Ou estar, sei lá.
Estou confusa. Meio perdida. Mas pela primeira vez nada vida, isso não me causa angústia ou pânico.

Eu tô curtindo, tô levando. Talvez seja porque o mundo vai acabar logo. Talvez...

Sem expectativas, ciumes ou compromisso. Nada. 

Bem, dessa vez o cara é outro sim. Melhor? Não sei. Tá parecendo. Mas eu posso estar enganada. 

Foda-se.

É isso, eu estou feliz. Feliz pra cacete.
E que todos saibam. Que ele saiba.

Se amanhã ele não estiver mais na mesma vibe, que se dane. Eu ainda vou estar feliz - Porque agora eu não sei mais ser de outro jeito. 


- E quando eu te abraço bem na hora em que você tá indo embora, e parece que eu nunca mais vou te soltar... É, tá tudo bem sim. Sempre vai estar.
Eu acho que é só uma tentativa desesperada de guardar seu cheiro por mais uns minutos. Eu durmo bem assim.